terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Luanda - Benguela: a Odisseia - Parte I

Sábado, 19 de Fevereiro, 06h50:

Chegámos alegremente ao Aeroporto Internacional de 4 de Fevereiro (Luanda)  para uma expedição relâmpago à desejosa Benguela. O entusiasmo escondia o cansaço de uma semana fatigante e a expectativa da viagem enganava qualquer bocejo.

"Prima, chego a Benguela às 10h30!"

"Cá vos esperamos! Façam boa viagem!"

Apesar de ser um vôo interno de 45 minutos, ditam as regras da TAAG que o check in deve ser feito com duas horas de antecedência da hora marcada para descolagem. Já perdi uma vez um vôo (em Barcelona) e foi uma experiência suficientemente humilhante para não querer repeti-la. Muito menos em Luanda. Desde então que tenho um respeitinho aos horários dos vôos e dos check ins que ninguém imagina. Mesmo que quem os dite seja a TAAG, a única companhia aérea que desconfio nunca ter conseguido satisfazer um único passageiro. Nem um.


Por esse motivo fiz questão de madrugar e assegurar o meu lugar na fila desengonçada que se formou à frente do estaminé da TAAG.

O Aeroporto 4 de Fevereiro até pode ser internacional mas é um internacional Angolanizado. Ou seja, ser internacional é uma mera fatalidade, completamente irrelevante, que em nada afecta o modus operandi  habitualmente praticado por cá. Quem está mal, que se mude.

Chegados à frente do estaminé da TAAG, o peremptório funcionário que lá se encontrava informou que o check in para Benguela ainda não tinha aberto. Já eram quase 8h da manhã, mas compreendemos. Atrasos há em todo o lado. Em Lisboa é o pão nosso de cada dia.

Às 8h30 é que a coisa já não cheirava lá muito bem, dado que a descolagem estava prevista para as 9h15. O que nos valeu foi uma amável transeunte, de nome Rita, com quem acabámos por travar conhecimento, e que "já estava habituada", assegurando-nos que era uma situação "normal".

E era. Porque com a TAAG nunca se sabe. (não é, mas podia ser o novo slogan da TAAG - reclamo desde já todos os direitos de autor).

Quando vinte minutos depois nos informaram afinal o check in já estava fechado duvidei da minha sanidade mental. Não fosse a tranquilidade da Rita - de quem já passou por estas peripécias vezes sem conta - teria esbofeteado violentamente o funcionário, fosse ele peremptório ou não.  

"Não te preocupes, eles deixam passar."

E deixaram.

Revendo o meu bilhete, um outro funcionário (menos peremptório, mas nem por isso mais acertivo) perguntou-me se eu era criança.

"Tenho um ar jovem, mas não tanto" pensei.

"É que o seu bilhete diz Miss. Miss são crianças dessa altura" - e exemplificou com a mão horizontalmente hirta abaixo da cintura. Considerando que se encontrava sentado, eu teria de ser cinematograficamente baixa ou talvez um recém-nascido para poder viajar com aquele bilhete.

"Ai sim?" Indaguei com os olhos esbugalhados e a expressão mais estúpida e desentendida que consegui transmitir. É que se dissesse lá Mr. ainda faria voz grossa, mas aqueles parâmetros eram inatingíveis.

Olhou para mim como se fosse loura e lá carimbou o papelito, desejando-me boa viagem.

Quando finalmente entrei na sala de embarque suspirei de alívio.

Mal sabia eu a quantidade de suspiros que me estavam reservados nesse dia.











5 comentários:

James disse...

Perder o aviao ora ai esta algo que nunca me aconteceu ;)

camaleoa disse...

Ahahahahahahahahaha...
Vou ficar ansiosamente à espera da segunda parte...
Welcome to the jungle!!! :o))

Patita disse...

lol, bem esse aeroporto é demais! Uma aventura completa. Ainda não sei quando o vou ver outra vez, mas realmente de internacional não tem nada.

Aguardo o relato do resto da aventura. ;)

bjs

Lena disse...

Bom início da aventura. Fico ansiosamente à espera do 2º capítulo.
Beijinhos.

FTM disse...

A Parte II já está!!