terça-feira, 8 de março de 2011

Finalmente, o Mussulo.

Parece que não, mas já vai para dois meses que pousei meu alvo pé nesta terra vermelha. Ligeiramente mais bronzeado, o meu pé já calcou muita areia e muito asfalto e teve há dias o prazer de se enterrar nas areias do Mussulo.

A viagem para o Mussulo faz-se de barco. Não é um barco qualquer, como aquele que atravessa placidamente o Tejo, desde Alcântara até Cacilhas, nem é comparável à empáfia da Baltic Princess que navega entre Helsínquia e Tallinn. Este tem muito mais charme. É uma lancha de madeira rusticamente pintada, 5 X 2, apetrechada com um valente motor Yamaha, onde os passageiros (bem apertadinhos, cabem pelo menos 10) se sentam confortavelmente em tábuas atravessadas (algumas, inclusive, almofadadas) e arranca pululando temerariamente entre as ondas até ao desejado destino. O que vale é que nos dão coletes, não vá alguém entusiasmar-se.

O preço da viagem é negociado antes do início do trajecto e o valor varia, secretamente, consoante a nacionalidade dos passageiros. Os pulas pagam o dobro. Os pulas "mangolê" lá conseguem um desconto.

"Tito, dá-me o teu número de telemóvel para depois nos vires buscar".

E com um pé na água lá entrámos para a lancha, mais as sacolas, as toalhas e a geleira, onde levávamos um digno mata-bicho. É que no Mussulo só há um restaurante-bar, que por sinal é o único que disponibiliza, mediante o pagamento de módica quantia, chapéus de palha e colchões aos veraneantes. É um verdadeiro monopólio.

Viagem sem makas.

Desembarcámos perto do restaurante, prontos para abancar por baixo de uma dos chapeuzinhos de palha já que às 10h da manhã o sol não estava para cerimónias.

"O aluguer são 1000 kwanzas, mas tem que entregar a geleira, que o chefe não deixa."

Ora gaita. Não podiamos ficar sem o mata-bicho.

"Então deixe estar que vamos para outro sítio"

E orgulhosamente arrastámos as sacolas, as toalhas e a amada geleira para outra ponta da praia. Não demorou muito tempo para percebermos que sem sombra a coisa ia correr muito mal.

Improvisámos. Ou, à boa maneira portuguesa, desenrascámo-nos.




Entre muitos banhos, muito protector e muita água tónica, lá iamos gozando a paisagem magnífica que nos cercava.

Ao longe avistava-se a sombra fresca de umas palmeiras que rodeavam uns bungallows. Dava ares de pertencer a terceiros. Mas não havia vedação, apenas uma pontezinha de madeira que convidava à passagem. Que desperdício, aquela sombra sem ninguém para aproveitar.




"Bora?"

"Bora".

E passámos o resto da tarde a admirar este espectáculo.








Degustado o mata-bicho, lá nos rendemos ao único restaurante-bar do Mussulo, onde acabámos por encerrar o dia de praia.

 


"Tito, podes vir buscar-nos?"

O Tito não apareceu. O que vale é que Titos há muitos.

Ter dias assim deveria ser um direito inalienável de cada cidadão, constitucionalmente protegido.










6 comentários:

Lena disse...

Aventura soberba!!!! E eu aqui com tanto frio... Tenho mesmo muita inveja....
Beijinhos!

Tiago disse...

Lanchas a pular temerariamente sobre a ondulacao. Ora diz la se nao tras memorias! Umas melhores que outras...
Beijocas

FTM disse...

@ Lena: foi mesmo...! vou ter saudades disto!

@ Tiago: ainda ontem estive a falar face to face com a outra interveniente dessas "boas" memórias exactamente sobre isso! (ela já cá está também!!!)

jaogando disse...

estou a adorar!! beijinho miss FTM
jao

moi disse...

raios... de cada vez que venho aqui fico sempre com dor de cotovelo???

FTM disse...

@ jao: eu também!! ;) bjs

@ moi: dizem que a lagosta faz maravilhas à dor de cotovelo... queres que te leve alguma...?