segunda-feira, 16 de maio de 2011

Alto, que as galinhas estão para ter dentes.

Inscrevi-me num ginásio. Nunca pensei dizer esta frase sem me rir. Não sou desportista, não tenho qualquer talento para o músculo, não sou dada a dietas e é com grande amor e carinho que conservo desde criança o meu pneuzinho na barriga. Zelo com parcimónia a minha condição física e nunca fui muito além de umas aulinhas de ténis e umas corridas na praia.

O conceito de ginásio é-me um tanto ao quanto estranho. Estar entre quatro paredes a trabalhar o abdominal ou a correr roboticamente numa passadeira causa-me alguns arrepios. O tempo livre é, para mim, sinónimo de ar livre e estar confinada numa sala cheia de espelhos, pessoas obcecadas com o seu aspecto físico a prestar culto à figura nunca me permitiu encarar esta possibilidade com ligeireza.

Talvez seja o aproximar dos 30 ou a vida sedentária da qual sou voluntariamente refém, mas a necessidade de mexer o dito cujo obrigou-me a arranjar uma solução que, ao menos, não fosse incómoda ao meu horário laboral. E ficando a caminho do trabalho, melhor ainda.

Mas a principal motivação não tem nada a ver com gémeos torneados ou tríceps definidos. É tudo por causa do músculo do cérebro. De vez e quando, merece descanso, coitadito. Não muito, que é para não se habituar mal. A verdade é que enquanto a massazinha cinzenta anda entretida com os ritmos compassados do step, a tentar acompanhar desesperadamente a aceleração, garantindo que o corpo obedece cegamente ao "1! 2! 3! 4!" posso aproveitar para relaxar a maior parte dos neurónios (os que ainda restam), conservando actividade unicamente nos que me impedem de estatelar no meio do chão.

Antes de me inscrever deram-me a oportunidade de experimentar livremente todas as actividades que decorrem no ginásio, durante uma semana. Como boa portuguesa, naturalmente que aproveitei a borla e experimentei tudo o que consegui. Foi uma semana dolorosa, não houve um único músculo que não fizesse greve reivindicativa. Com alguma razão, há muito que o repouso era direito adquirido.

Comecei com uma aula de localizada. Ao fim de quinze minutos já nem sabia de que terra era. Foram quinze minutos extremamente relaxantes, do ponto de vista intelectual. Fui logo a seguir para uma aulinha de body pump, uma coisa levezinha, que mais não é que alterofilismo com música electrónica. O professor bem se esmifrou para tornar a aula interessante, mas não há grande volta a dar àquilo.

Alguns dias depois decidi ir à aula de dança clássica para adultos. Na minha ignorância, já me imaginava a dançar a valsa ou o fox trot em salões barrocos Europa fora. Quando chego à sala e vejo a professora de maiott percebi que a coisa estava mal parada. Era uma aula de ballet.

Desde os sete anos de idade que não fazia um plie em primeira posição. O curioso é que ainda me lembrava o que era. Fazer é que foi mais complicado: glúteos contraídos, omoplatas unidas, costelas para dentro, abdominais retraídos e quando dei por mim já mal conseguia respirar, quanto mais fazer um plie. Preparava-me para fazer a segunda posição quando a professora sugeriu que me descalçasse, dado que os ténis Reebok que tinha levado a pensar na valsa (não me ocorreu nada mais adequado) iam estragar a minha demi pointe. Tinha alguma razão.

Ao contrário do que esperava, adorei a aula. Não percebo nada daquilo, duvido que algum dia acerte uma única coreografia, jamais serei capaz de executar um arabesque, mas o certo é que apesar da minha total inaptidão para a delicadeza daqueles movimentos, a sua beleza conquistou-me. Há uma certa elevação do espírito naquela serenidade.


Só me falta é o traje adequado.

2 comentários:

Tiago disse...

Experimenta Spin Bike, quanto mais nao seja serve como preparacao fisica para o BDP.
Ja o ballet ... ;)

FTM disse...

Não gosto muito de bikes. Entediam-me.
Já o ballett... ;)